Atualizado: 7 de out.
Quem opera uma ETE conhece o roteiro. Grade de piso do tanque de aeração com corrosão e bordas vivas, guarda-corpo do decantador com perda de seção na base dos montantes e escada marinheiro do poço de visita que já não oferece a mesma segurança. A cada ciclo surgem novas demandas de repintura, reforço ou substituição de peças, muitas vezes com a área isolada e a operação pressionada.
Em ETAs o cenário pode ser menos severo, mas não está livre de problemas: umidade permanente, produtos químicos de dosagem (coagulantes, cloro e cal) e respingos constantes sobre estruturas metálicas. Em ambos os casos, o ambiente de saneamento pode ser agressivo para o aço carbono e transformar a manutenção em atividade recorrente.

Por que o material tradicional degrada nesse ambiente
Aço carbono e galvanizado. Umidade permanente, respingos de efluentes e produtos químicos podem atacar a proteção superficial. Em determinadas atmosferas de ETE, o sulfeto de hidrogênio (H₂S) se soma à umidade e favorece processos de corrosão. Quando a pintura ou a camada de zinco é danificada por impacto, abrasão ou envelhecimento, a corrosão pode avançar sob o revestimento, o que aumenta a necessidade de inspeção e reparo.
Concreto. Em estruturas expostas a esgoto, o H₂S pode participar de processos microbiológicos que levam à formação de ácido sulfúrico na superfície do concreto. Esse mecanismo pode degradar a pasta de cimento e deve ser considerado em pontos com atmosfera confinada e úmida.
Madeira. A umidade permanente e a ação de microrganismos aceleram o apodrecimento, o que a torna inadequada para passarelas, apoios e estruturas em áreas molhadas.
A solução: PRFV
O PRFV (Plástico Reforçado com Fibra de Vidro) não sofre ferrugem como o aço e não apodrece como a madeira. Isso não significa que qualquer produto sirva para qualquer ambiente: a durabilidade depende da resina, do acabamento superficial, da temperatura, da radiação UV, da abrasão, dos agentes químicos, da carga e da instalação. A seleção da resina e do perfil deve considerar as condições reais da planta e ser avaliada pela engenharia caso a caso.
Aplicação prática: onde utilizar PRFV em ETAs e ETEs
Tanques, decantadores e reatores: grades de piso e passarelas
É uma das aplicações mais frequentes. Grades de piso em PRFV são usadas em passarelas sobre tanques de aeração, decantadores e canais, em plataformas de acesso a equipamentos e em pisos de áreas molhadas. Além de não sofrerem corrosão como o aço, podem ter superfície antiderrapante, recurso relevante em locais permanentemente úmidos. O peso reduzido facilita o transporte e a instalação e, em alguns casos, permite dispensar equipamentos de içamento, conforme dimensões da peça, acesso e procedimentos de segurança. Confira as grades de piso da Tecwall.
Perímetro de tanques e canais: guarda-corpos
Guarda-corpos de aço, mesmo galvanizados, desgastam na base dos montantes e nas conexões, onde água e resíduos tendem a se acumular. Em PRFV, o conjunto não sofre corrosão eletroquímica e pode reduzir a necessidade de repintura, desde que corretamente especificado, instalado e mantido. Os guarda-corpos Tecwall são fabricados em conformidade com as normas aplicáveis (NR-12 e NR-18). Veja a linha de guarda-corpos em PRFV.
Acessos verticais: escadas marinheiro e escadas convencionais
Poços de visita, elevatórias, reservatórios e caixas de passagem concentram umidade e, em alguns casos, atmosferas agressivas. A escada é item de segurança que não pode ficar fora de operação. Em PRFV, os componentes não dependem de pintura para resistir à corrosão metálica, e o peso reduzido facilita a instalação em locais de difícil acesso. A escolha deve considerar compatibilidade química, carga de uso, superfície dos degraus e fixação.
Estruturas de suporte e perfis pultrudados
Suportes de tubulação, bandejas, apoios de equipamentos e estruturas de cobertura em perfis pultrudados podem substituir peças metálicas em áreas úmidas e corrosivas. O PRFV tem baixa condutividade elétrica e não forma, por si só, par galvânico com metais próximos, mas isso não elimina riscos elétricos de motores, cabos, painéis ou fixadores metálicos, nem substitui projeto elétrico e aterramento. A especificação deve considerar vão, carga, flecha admissível, temperatura e exposição química.
Construções modulares e fechamentos: Tecplak
Casas de química, abrigos de painéis e salas operacionais em atmosfera agressiva podem ser avaliados para painéis em PRFV. A linha Tecplak foi desenvolvida para saneamento e construção modular, com paredes que podem reduzir a necessidade de pintura e não apodrecem como a madeira. A compatibilidade com atmosferas contendo H₂S deve ser confirmada na ficha técnica e com a equipe de projeto.
Fechamento prático: o que muda na operação
A principal vantagem do PRFV no saneamento é reduzir a frequência das intervenções: menos repinturas, menos substituições por corrosão e menos paradas para reparo em áreas de risco. O custo inicial por metro pode ser maior que o do aço carbono, por isso a comparação deve considerar o TCO (custo total de propriedade), incluindo instalação, inspeções, manutenção, paradas operacionais e substituição. O resultado depende da especificação correta, da compatibilidade da resina com o ambiente e do programa de manutenção da planta.
Tem uma ETA ou ETE com grades, guarda-corpos, escadas ou perfis metálicos em manutenção recorrente? A equipe técnica da Tecwall avalia as condições de exposição, a solicitação mecânica, a instalação e os agentes químicos da sua planta para indicar o produto e a resina adequados. Solicite uma avaliação técnica.
Referências
U.S. EPA. Design Manual: Odor and Corrosion Control in Sanitary Sewerage Systems and Treatment Plants (EPA/625/1-85/018, 1985). Sulfeto de hidrogênio e corrosão em sistemas de esgoto.
Coni, G. A. et al. Degradação do concreto através da formação de ácido sulfúrico biogênico em estação de tratamento de esgoto. Revista ALCONPAT, 2022. https://www.scielo.org.mx/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2007-68352022000200279&lng=es&nrm=iso&tlng=pt
ScienceDirect Topics. Pultrusion. https://www.sciencedirect.com/topics/engineering/pultrusion
CompositesWorld. Materials & Processes: Fiber formats for composites. https://www.compositesworld.com/articles/fiber-reinforcement-forms