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PRFV: aplicações, vantagens e onde utilizar a fibra de vidro na indústria.

há 7 dias
8 min de leitura

Atualizado: há 1 hora

Por que o PRFV vem ganhando espaço em ambientes industriais?

Corrosão, manutenção frequente, estruturas pesadas e dificuldade de instalação são problemas comuns em indústrias, estações de tratamento, torres de resfriamento e diversas aplicações de infraestrutura.

É justamente nesse cenário que o PRFV, Plástico Reforçado com Fibra de Vidro, vem ganhando espaço como alternativa a materiais tradicionais, principalmente ao aço, em aplicações nas quais resistência à corrosão, menor peso e durabilidade são fatores importantes.

O PRFV pode ser utilizado na fabricação de perfis estruturais, vigas, cantoneiras, grades de piso, guarda-corpos, escadas, passarelas, plataformas, treliças e diversos outros componentes industriais.

Além de reduzir problemas relacionados à corrosão, sua baixa necessidade de manutenção pode gerar ganhos importantes durante toda a vida útil da estrutura.

Entretanto, como acontece com qualquer material de engenharia, o PRFV precisa ser corretamente especificado de acordo com o ambiente e as condições de uso.



O que é PRFV?

PRFV significa Plástico Reforçado com Fibra de Vidro.

O material é formado principalmente pela combinação de:

Fibra de vidro: responsável principalmente pela resistência mecânica e rigidez do produto.

Resina: envolve e protege as fibras, além de contribuir para a resistência química e o comportamento do material em diferentes condições ambientais.

Dependendo da aplicação, podem ser utilizadas diferentes resinas, como poliéster, éster vinílica ou epóxi.

Essa combinação permite desenvolver produtos com características específicas para diferentes ambientes industriais.

Internacionalmente, o PRFV também pode ser encontrado pelas siglas GFRP ou GRP, mas no Brasil o termo PRFV é amplamente utilizado.




Quais são as principais vantagens do PRFV?

Alta resistência à corrosão

Uma das principais razões para utilização do PRFV é sua resistência em ambientes onde estruturas metálicas podem sofrer corrosão.

Isso torna o material especialmente interessante para aplicações sujeitas a:

  • umidade constante

  • maresia

  • produtos químicos

  • ambientes industriais agressivos

  • estações de tratamento de água e esgoto

  • torres de resfriamento

  • indústrias químicas

  • indústrias de fertilizantes

  • ambientes costeiros

Ao contrário do aço carbono, o PRFV não sofre corrosão eletroquímica da mesma forma que os metais.

Isso pode reduzir intervenções relacionadas a pintura, tratamento superficial e substituição de componentes corroídos.

A compatibilidade química, porém, deve sempre ser analisada considerando o produto químico, concentração, temperatura e condições de operação.

Estudos sobre durabilidade de compósitos reforçados com fibras também destacam a importância de considerar o ambiente real de utilização durante a especificação. [1]


Teste de carga em treliças de PRFV com aplicação de pesos para avaliar a resistência estrutural

Menor peso e facilidade de instalação

Outra vantagem importante é o peso.

Perfis e estruturas em PRFV podem apresentar peso significativamente menor que soluções metálicas equivalentes, dependendo do projeto.

Na prática, isso pode facilitar:

  • transporte

  • movimentação dentro da obra

  • montagem

  • instalação

  • manutenção

  • acesso a locais com espaço limitado

Em determinados projetos, estruturas mais leves também podem reduzir a necessidade de equipamentos pesados durante a montagem.


Baixa necessidade de manutenção


Em ambientes sujeitos à corrosão, estruturas metálicas podem exigir inspeções, pintura, recuperação de superfície ou substituição de componentes ao longo dos anos.

O PRFV pode reduzir parte dessas intervenções quando corretamente especificado para o ambiente.

Por isso, na comparação entre materiais, não é recomendável analisar apenas o preço inicial.

Também devem ser considerados:

  • manutenção

  • pintura

  • mão de obra

  • paradas de operação

  • substituição de componentes

  • transporte

  • instalação

  • vida útil esperada

Em muitas aplicações, o ganho do PRFV aparece justamente no custo total ao longo da utilização da estrutura.


Isolamento elétrico


O PRFV possui baixa condutividade elétrica quando comparado aos metais.

Essa característica pode ser importante em aplicações próximas a equipamentos elétricos ou em ambientes nos quais a utilização de estruturas metálicas exige cuidados adicionais.

A característica elétrica final deve sempre ser confirmada de acordo com a composição e especificação do produto.

Onde o PRFV pode ser utilizado?


O PRFV possui uma grande variedade de aplicações industriais.

A escolha depende das condições ambientais, esforços estruturais, temperatura, exposição química e requisitos específicos de cada projeto.


1. Estações de tratamento de água e esgoto

Estações de Tratamento de Água, ETAs, e Estações de Tratamento de Esgoto, ETEs, são ambientes onde umidade, produtos químicos e exposição contínua podem acelerar a corrosão de componentes metálicos.

O PRFV pode ser utilizado em:

Também pode ser utilizado em sistemas de chicanas para processos de tratamento de água, como o Sistema Tecplak, desenvolvido para aplicações de saneamento.

2. Torres de resfriamento

Torres de resfriamento combinam praticamente todas as condições que favorecem processos de corrosão em estruturas metálicas:

  • água

  • umidade elevada

  • produtos químicos utilizados no tratamento da água

  • exposição contínua

  • variações de temperatura

Por esse motivo, os perfis pultrudados em PRFV são utilizados em estruturas de torres de resfriamento em diversas partes do mundo.

Entre as aplicações estão:

  • treliças

  • vigas

  • cantoneiras

  • perfis estruturais

  • plataformas

  • passarelas

  • escadas

  • guarda-corpos

  • grades de piso

A baixa necessidade de manutenção pode ser especialmente interessante nesses ambientes, onde intervenções estruturais podem exigir parada parcial ou total da operação.

3. Indústria química, petroquímica e de fertilizantes

Ambientes químicos podem apresentar vapores, líquidos e resíduos agressivos aos metais.

O PRFV pode ser considerado para diversas aplicações, como:

  • plataformas

  • passarelas

  • grades de piso

  • escadas

  • guarda-corpos

  • perfis estruturais

A resistência química depende principalmente da combinação entre resina utilizada, concentração do produto químico, temperatura e tempo de exposição.

Por isso, não existe um PRFV universalmente resistente a todos os produtos químicos.

Cada aplicação deve ser avaliada individualmente pela equipe técnica antes da especificação final.

4. Saneamento

O saneamento é uma das áreas onde as características do PRFV podem trazer grandes vantagens.

Estruturas localizadas próximas a água, produtos químicos e ambientes externos frequentemente estão expostas a condições severas de corrosão.

Entre as aplicações possíveis estão:

  • guarda-corpos

  • escadas

  • passarelas

  • plataformas

  • grades de piso

  • perfis estruturais

  • painéis de chicanas

  • suportes

Para esse mercado, a Tecwall desenvolveu o Tecplak, sistema de painéis em PRFV voltado especificamente a aplicações de saneamento e construções modulares.

A escolha correta do material pode contribuir para reduzir manutenção e aumentar a disponibilidade das instalações.

5. Ambientes marítimos e regiões litorâneas

A maresia é um dos principais agentes de corrosão para estruturas metálicas.

Por isso, o PRFV também pode ser utilizado em:

  • áreas portuárias

  • instalações próximas ao mar

  • passarelas

  • plataformas

  • grades

  • escadas

  • guarda-corpos

  • estruturas auxiliares

Nessas aplicações também devem ser analisadas condições como radiação solar, impacto, abrasão, fixação dos componentes e exposição contínua ao ambiente externo.

6. Infraestrutura e estruturas industriais

Perfis pultrudados em PRFV também podem ser utilizados na fabricação de estruturas como:

  • treliças

  • plataformas

  • passarelas

  • coberturas

  • suportes

  • estruturas para equipamentos

  • guarda-corpos

  • escadas

  • estruturas modulares

A Federal Highway Administration dos Estados Unidos apresenta diversas aplicações de materiais compósitos reforçados com fibras em infraestrutura, incluindo elementos estruturais e sistemas utilizados em pontes. [2]

Isso demonstra como os compósitos deixaram de ser materiais restritos a aplicações específicas e passaram a ocupar espaço crescente em projetos estruturais.

A utilização, entretanto, deve sempre considerar o dimensionamento adequado para as cargas previstas.

Perfis pultrudados em PRFV

Um dos principais processos utilizados para fabricação de perfis estruturais em PRFV é a pultrusão.

Nesse processo, fibras de vidro passam por um sistema de impregnação com resina e posteriormente por uma matriz aquecida que define o formato final do perfil.

O processo permite fabricar continuamente produtos com seção constante, como:

  • vigas

  • perfis U

  • cantoneiras

  • tubos quadrados

  • tubos redondos

  • barras

  • perfis para guarda-corpos

  • perfis estruturais especiais

Uma das vantagens da pultrusão é a repetibilidade do processo, permitindo produzir perfis com dimensões e características controladas.

A orientação das fibras é definida durante a fabricação e influencia diretamente a resistência do perfil, um comportamento também descrito em estudos experimentais sobre o desempenho mecânico de perfis pultrudados em fibra de vidro. [3]

Por esse motivo, o dimensionamento de uma estrutura em PRFV deve considerar as propriedades específicas do perfil utilizado.

E as grades de piso em PRFV?

As grades de piso em PRFV são muito utilizadas em ambientes industriais devido à combinação de resistência à corrosão, baixo peso e facilidade de instalação.

Elas podem ser aplicadas em:

  • plataformas

  • passarelas

  • áreas de manutenção

  • estações de tratamento

  • indústrias químicas

  • torres de resfriamento

  • instalações marítimas

  • áreas industriais externas

Existem diferentes processos de fabricação e configurações de grade.

A escolha deve considerar carga, vão entre apoios, ambiente, tráfego e condições da aplicação.

PRFV substitui o aço?

Essa é uma das perguntas mais comuns sobre o material.

A resposta correta é: depende da aplicação.

O PRFV não deve ser tratado simplesmente como "um aço que não enferruja".

São materiais diferentes e possuem comportamentos diferentes.

O aço possui suas vantagens e continua sendo essencial em inúmeras aplicações.

O PRFV, por outro lado, pode apresentar vantagens importantes quando o projeto envolve:

  • corrosão

  • exposição química

  • umidade

  • necessidade de estrutura leve

  • dificuldade de manutenção

  • necessidade de isolamento elétrico

  • ambientes agressivos

O mais importante é avaliar o custo e o desempenho durante toda a vida útil do projeto, e não apenas comparar o preço por metro ou por quilo dos materiais.

O que deve ser analisado antes de escolher o PRFV?

Para especificar corretamente uma solução em PRFV, algumas informações são importantes.

Ambiente

A estrutura ficará exposta ao tempo, umidade, maresia ou produtos químicos?

Produto químico

Existe contato direto ou indireto com produtos químicos? Qual produto e qual concentração?

Temperatura

Qual a temperatura normal e máxima de operação?

Cargas

Quais cargas a estrutura deverá suportar? Haverá circulação de pessoas, equipamentos, vento, vibração ou cargas concentradas?

Dimensões

Qual o tamanho da estrutura e quais são os vãos entre apoios?

Fixação

Como os componentes serão conectados e fixados?

Normas

Existe alguma norma ou requisito específico exigido pelo projeto?

Essas informações ajudam a definir a solução mais adequada para cada aplicação.

PRFV pode reduzir problemas de manutenção?

Em ambientes corrosivos, sim, essa pode ser uma das principais vantagens.

Imagine uma estrutura metálica instalada em uma área constantemente exposta à umidade ou a produtos químicos.

Ao longo dos anos, podem ser necessárias intervenções como:

  1. inspeção da corrosão

  2. preparação da superfície

  3. tratamento das áreas afetadas

  4. nova pintura

  5. substituição de elementos comprometidos

Além do custo dos materiais e da mão de obra, determinadas manutenções exigem isolamento de área ou parada de operação.

Em aplicações adequadas, o PRFV pode reduzir significativamente esse tipo de intervenção.

É justamente por isso que a análise deve considerar o custo total da estrutura durante sua vida útil, e não somente o investimento inicial.

A importância de uma especificação correta

Apesar das vantagens, o PRFV não deve ser especificado de forma genérica.

A composição do material, o tipo de resina, a quantidade e orientação das fibras, o processo de fabricação e o ambiente de utilização influenciam diretamente seu desempenho.

Métodos de ensaio para propriedades mecânicas de compósitos, como os descritos na norma ASTM D3039/D3039M para ensaio de tração, ajudam a caracterizar o comportamento do material, mas a aplicação de qualquer norma específica ao projeto deve ser confirmada pela engenharia responsável, considerando o produto e o contexto reais. [4]

Isso reforça um ponto importante: PRFV não é apenas um material. É uma solução que precisa ser escolhida de acordo com a aplicação.

Quando vale a pena considerar o PRFV?

Se o seu projeto apresenta problemas recorrentes de corrosão, manutenção frequente ou estruturas metálicas localizadas em ambientes agressivos, vale avaliar uma alternativa em PRFV.

Na Tecwall Fibra desenvolvemos e fornecemos soluções em fibra de vidro para diferentes aplicações industriais e de infraestrutura, incluindo:

Cada projeto possui características próprias.

Por isso, antes de simplesmente substituir um material por outro, buscamos entender onde será aplicado, quais são as condições do ambiente e qual problema precisa ser resolvido.

Se sua empresa enfrenta problemas de corrosão ou busca uma solução estrutural com menor necessidade de manutenção, fale com a equipe técnica da Tecwall e envie as informações do seu projeto.

Podemos avaliar junto com sua equipe qual configuração em PRFV faz mais sentido para a aplicação.

Referências técnicas

[1] NIST — National Institute of Standards and Technology. Durability Gap Analysis for Fiber-Reinforced Polymer Composites in Civil Infrastructure. https://www.nist.gov/publications/durability-gap-analysis-fiber-reinforced-polymer-composites-civil-infrastructure

[2] FHWA — Federal Highway Administration. Fiber Reinforced Polymer Composite Technology. https://www.fhwa.dot.gov/bridge/composite/

[3] NCBI/PMC. Experimental Study of the Flexural and Compression Performance of an Innovative Pultruded Glass-Fiber-Reinforced Polymer Composite Profile. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4613140/

[4] ASTM International. ASTM D3039/D3039M — Tensile Properties of Polymer Matrix Composite Materials. https://www.astm.org/d3039_d3039m-08.html

Observação: normas e referências técnicas podem possuir revisões posteriores. Para especificações de projeto, deve ser consultada a edição vigente e os requisitos específicos de cada aplicação.

 
 
 

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